Paciência, perseverança, mais paciência e silêncio……
Eram 0:01hs, dia 09.09 acabando, dia 10.09 iniciando. Passava na TV o hipertensão, tensão no limite, candidatos eletrizados… eu estava tranqüila, curtindo a TV e o edredon fofinho. Alguma coisa diferente me aconteceu, levantei e fui ao banheiro checar. Parecia o tampão começando a sair. Não sentia nada, apenas contrações indolores e tampão indo embora devagarzinho… Dormi tranqüila e estava feliz pois na sexta-feira teria uma consulta com o Xico e estava anciosa para dar a notícia de que os trabalhos estavam por começar.
Acordei bem disposta e avisei para o meu marido que o processo tinha iniciado. Ele foi trabalhar normalmente e me encontraria no consultório médico para me levar em casa depois. A consulta foi ótima e o Xico confirmou que poderia mesmo ser o tampão começando a sair. Apesar de dado o start, a evolução poderia ser de horas como de dias. Fiquei tranqüila e voltei para a casa achando que ainda demoraria alguns dias para tudo realmente acontecer.
Ao longo da sexta, percebi que as contrações, antes indolores e quase imperceptíveis, já não eram mais assim. Agora já as sentia bem, apesar de serem sensações suportáveis. Ninguém, a não ser eu mesma percebia o que estava acontecendo.
No final da sexta, além de mim, as minhas duas cachorras também já haviam notado que algo diferente estava acontecendo com o meu corpo. Elas se tornaram mais alertas e preocupadas comigo. Muito interessante o instinto de fêmea delas. As contrações se tornavam cada vez mais intensas, mas nada de terrivelmente desconfortável! Comecei a pensar em monitorá-las, para saber se realmente seria um início de TP ou apenas pródomos.
Bem, não consegui chegar a nenhuma conclusão. Eram contrações sem um ritmo bem definido, mas cada vez mais intensas. A noite, a intensidade das contrações já estava bem interessante e o ritmo parecia que queria engrenar. Eram contrações de aproximadamente 10 em 10 minutos, com algo em torno de 40 segundos. Quando meu marido chegou do trabalho, pedi que me ajudasse a contá-las porque, para mim, descobrir a regularidade dessas contrações foi o mais difícil 🙂
Iniciamos uma contagem interessante e, com o passar do tempo, percebemos contrações mais duradouras e com intensidade cada vez maiores. Apesar disso, não eram propriamente dores que estava sentindo, mas sim, um desconforto, como se fossem cólicas menstruais. Minhas costas não doíam, o que era desconfortável para mim era o baixo ventre. Aí era localizado o desconforto.
No final do dia, o desconforto já estava bastante acentuado. Decidi ligar para a minha doula, afim de obter alguma informação que me ajudasse. Foi bom ter ligado, pois no meio do telefonema uma contração surgiu e ela pode “me ouvir’, rs. Pelo meu som, percebeu que realmente poderia estar num começo de TP. Nos ligamos mais algumas vezes e ela sugeriu que eu entrasse em contato com Xico para dizer em que pé as coisas estavam.
Foi o que fiz, eram 11 da noite quando dei o primeiro telefonema para ele. Apesar de mais ou menos regulares, ele me disse para começar a “me preocupar” quando a duração das contrações ultrapassasse 1 minuto. Pediu para que dormisse, até que tentei….. mas, quem disse que consegui?
A madrugada se mostrou bastante interessante para mim, meu marido e minhas cachorras. Ficamos conversando animadamente e, de tempos em tempos eu anunciava “contraçãããooo”. Eu acocorava, jogava o peso do corpo de uma perna para outra, ele anotava o horário e duração e as minhas cachorras sentavam diante de mim e esbugalhavam os olhos. Num determinado momento olhamos pela janela e percebemos que o dia tinha amanhecido. Era o sábado, dia 11.09 chegando, dia do nascimento. Já não anunciava mais as contrações porque não conseguia. Simplesmente apontava para ele e acocorava. Não dava mais para falar a linguagem dos homens.
A manhã avançava e decidi ligar para a minha doula novamente. Combinamos que ela viria para a minha casa e depois partiríamos juntas para a maternidade. Ela sugeriu que ligasse para o Xico mais uma vez. Feito, avisei que as contrações já estavam de 5 em 5 minutos, com durações superios a 1 minuto. Monitoramento por mais uma hora ele pediu e, se continuassem assim, partiríamos para a Perinatal.
Depois de uma hora de observação, vimos que o ritmo continuava regulado e então partimos para a maternidade.
Na chegada a maternidade estava com 6 cm de dilatação. Agora era a ambientação ao quarto e aguardar. Eu conversava com Fadynha, procurava posições confortáveis quando necessário, Fadynha trabalha nas massagens, do in e o Xico assistia televisão ;)))
Era um entra e sai chato no quarto. Avô e avó vindos de Salvador, sogra, cunhada e namorado indo no quarto para saber como as coisas estavam. Falei para meu marido que não queria que ninguém mais entrasse. Não queria intromissões, aquele momento era só meu. Já bastava ele, doula, obstetra. Talvez me sentisse mais a vontade sozinha. Chegou num determinado momento que todas as massagens da Fadynha me incomodavam. Não queria ser tocada por ninguém. Não queria nada. A dilatação chegava a uns 8 para 9 cm e então descemos para a sala de pré-parto.
Fui andando e acocorando quando necessário. Era alvo de olhares incrédulos “como pode estar em TP e ir andando para o centro cirúgico? Cadê o soro?” Quando cheguei lá na sala de pré-parto, a enfermeira perguntou com quanto de dilatação estava. 8 cm e ela ficou com cara de espanto para mim. Parecia que eu era um ET, pois não gritava, nem chorava, nem pedia desesperadamente por anestesia. Quando partimos para a sala de parto, pude relaxar um pouco na banheira. Sensação maravilhosa aquela água quentinha, aqueles produtos cheirosos e a certeza de que o grande momento estava por vir. Apesar de feliz pela sensação gostosa da água, nas contrações queria ficar de cócoras ou com as pernas um pouco mais abertas, mas a banheira era meio apertadinha para me sentir totalmente confortável.
Entre uma contração e outra o papo era sempre animado. Eu estava super bem, as coisas corriam tranquilamente. De vez em quando o Xico apontava na sala para saber como estava o andamento e ia embora. Era só eu, Fadynha e meu marido. O tempo foi passando, minhas contrações eram amigas, mas o ânimo começou a se esvair. Mesmo com melzinho, bananada, o fato era que estava sem comer comida de verdade desde a manhã daquele sábado. Já estávamos no início da noite e o cansaço começou a bater com vontade. Praticamente 10 cm de dilatação, a não ser por um bordinho de colo de útero que insistia em permanecer onde estava. Até então minha bolsa estava intacta, meu bebê estava protegidinho lá dentro. Estava gostoso para ele, não tinha pressa de sair.
As horas passavam e o bordo de colo permanecia lá. Xico decidiu ajudar o bordinho a ir embora, mas isso significava toque com força dele contra o bordo e força minha para baixo no momento das contrações. Até então as dores estavam amigas, mas esse processo de mandar o bordo para o espaço estava começando a me deixar louca! Era literalmente pé no peito do obstetra enquanto tentávamos eliminar o bordo. A coisa foi ficando dura e o cansaço bateu forte na porta. Cansaço com dor para tirar o bordo foi demais para mim. Numa dessas tentativas a bolsa estourou e pude sentir o líquido quentinho descendo pelas pernas. Depois de algumas tentativas de tirar o bordo ridículo de lá eu não agüentei e pedi anestesia. Não precisei gritar, muito calmamente falei que tinha chegado no meu limite, precisava de uma trégua para conhecer com calma o meu filho.
Passaram-se muitos minutos para a anestesista chegar, muito simpática. Recebi a analgesia e o Xico conseguiu mandar o bordo do colo do útero para o espaço. Agora Rafa tinha espaço para passar, para nascer, para estreiar!
Apesar de estar com analgesia, conseguia sentir a pressãozinha lá em baixo dele vindo. Era sensação de fazer cocô, misturada com contração, uma coisa muito doida. Xico me avisou que já sentia a cabecinha dele apontando, ainda dentro de mim. Colocou meu dedo lá dentro e eu pude sentir também. Que sensação doida sentir a cabeça do seu filho ainda dentro de você, se preparando para sair. Não dá para descrever em palavras.
Quando ele apontou mesmo o cucuruco lá em baixo, já se mostrando para todo mundo, de vez em quando eu passava a mão para senti-lo. Não era tão cabeludo ;). Agora o trabalho era meu, só meu e de mais ninguém. Era tudo comigo e com meu filho, a cada contração, força e estávamos cada vez mais perto um do outro. A noite já havia chegado há tempos, já passávamos das 22 horas. “Rafa, cadê você? Vem pra mim filho, vem”. Eu mentalizava para que ele estreiasse logo. 22:30 e ele resolveu que havia chegado a sua hora, com muito esforço dele, com muito esforço meu, Rafa chegava ao mundo. Fizemos história, ele tinha um nó verdadeiro no cordão umbilical. Quem saberia dizer há quanto tempo estaria ali aquele nó! Nenhuma ultrasson o detectou. Uma circular de cordão, mas a sensação mesmo foi o nó verdadeiro fotografado e tudo pela equipe. Ele chegou de mansinho, assim que saiu abriu os olhos…. e quando chorou, fez com vontade! Veio para mim, escorregadio, quentinho, com um cheirinho gostoso de líquido amniótico. Fiquei meio estasiada, não sabia muito bem como agir. Queria dar colo para o meu filho, queria que ele se sentisse aconchegado em mim. Depois de aproximadamente 10 minutos de interação entre ele e eu, o coloquei para mamar. E como mamou!!! Danadinho… sugou com força e vontade. Mamou nas duas mamas com a mesma vontade. Depois disso tudo o papai, que eu nem via onde estava, cortou o cordão. Até então éramos um, agora eu estava dando ao meu filho a independência. Respira sozinho, mas passando pelo processo de respirarmos juntos antes de qualquer coisa.
Estávamos ali, eu e o meu filho separados, mas juntos, para toda a eternidade!

Estou grávida de 33 semanas.
Oi Susana! Li o teu relato e adorei… estou precisando de ajuda, estou grávida de 33 semanas, fui na minha médica por que não estava me sentindo muito bem essa semana, ela fez o exame de toque e pediu pra que eu ficasse 10 dias em repouso pq existe a chance de nascer antes do tempo, foi tão rápida a minha passagem no consultório e uma noticia tão inesperada q agora fiquei com algumas dúvidas, lembrei do teu depoimento e pensei em pedir a tua ajuda, na consulta ela disse q o bb está muito baixo, dai eu perguntei se tinha dilatação e ela me respondeu que o bordo do utero esta um pouco fora, nunca tinha ouvido falar disse, a não ser… dai que entra vc, no seu relato, lembrei dele, e resolvi te perguntar o que significa isso?? Bj, obrigada.
Denise!
Antes de mais nada, parabéns pela gestação.
No meu caso o bordo do colo do útero atrapalhou o nascimento do meu bb. O bordo era como se fosse um inchaço, uma barreira de uma pontinha do colo do meu útero. Ou seja, por causa do rebordo do colo que não saía do lugar, o bb não tinha como passar pelo canal vaginal. tanto é que o OB teve que tirar o bordo da frente, aí sim o bb pode descer para o canal vaginal tranquilamente. Por isso, não entendi muito bem o que ela quis dizer no teu caso com o bordo estar fora do lugar… pelo que vc falou, não existe dilatação não é? E isso já é ótimo, pois dilatação só tem que ter quando for nascer mesmo, ainda mais ela achando que pode nascer antes do tempo.
Não sei se tenho informações suficientes para te auxiliar, mas te sugiro o seguinte. Você conhece uma lista de discussão chamada partonosso? Se sim, entra nela e posta exatamente o que você postou aqui, essa dúvida. Fazem parte da lista vários médicos, várias doulas e várias pessoas que entendem muito de parto que, com certeza saberão responder melhor a sua questão. Não deixa de ir lá, não mesmo.
Queria poder te ajudar mais!! Me avise de qualquer outra coisa, estou sempre aqui!!!
Sú
Su… lindo o seu relato!!!! Imagino como foi gratificante pra vc ter seu sonho realizado!!! Parabéns!!!!
Bjs!!!